A Argentina quer que o governo brasileiro amplie o prazo dado às indústrias de massas e biscoitos para a importação de uma cota de 200 mil toneladas de farinha de trigo argentina, fixada em junho último. De acordo com o secretário comercial da embaixada argentina, Alejandro José Amura, problemas burocráticos e operacionais nos dois países fizeram com que menos de 20 mil toneladas fossem importadas pelas indústrias brasileiras até agora e por isso o governo argentino está solicitando mais tempo. Pelo acordo fechado em junho, as indústrias brasileiras teriam que internalizar 150 mil toneladas até 20 de setembro e as 50 mil toneladas restantes até 20 de outubro. Os argentinos querem que o prazo seja estendido por mais dois meses, até 20 de dezembro, disse Amura. A situação cambial desfavorável à Argentina também colaborou para dificultar as vendas da farinha para o Brasil. O congelamento do dólar que vigora no país vizinho há mais de um ano, fez com que o Brasil fechasse o primeiro semestre do ano com um superávit na balança comercial entre os dois países de pouco mais de US$600 milhões. O diretor do Departamento de Abastecimento e Preços (DAP), do Ministério da Economia, Celsius Lodder, adiantou que tecnicamente não há razões para a quebra do comportamento assumido pelo governo brasileiro com o setor privado nacional, que fixou a data de 20 de outubro para o fim das importações. Lodder não descartou, entretanto, a possibilidade de que o ministro Marcílio Marques Moreira decida atender o pedido dos argentinos como forma de ajudar a equilibrar a balança comercial entre os dois países (GM).