Um pacote de medidas para o incentivo do mercado interno do café foi fechado anteontem entre o governo e o setor. Os principais pontos são a rolagem da dívida de US$400 milhões, a liberação de US$500 milhões para financiamento de estocagem e custeio, fixação de um preço de referência entre US$65 e US$73 a saca, recursos para revigorar os cafezais e sanear as cooperativas de cafeicultores. O Funcafé vai destinar os recursos para a implantação dessas medidas. O ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira, rejeitou a fixação do preço mínimo de garantia de US$80 a saca do café porque demandaria subsídios implícitos da ordem de US$900 milhões. Ao atender a principal reivindicação do setor, o governo teria de adquirir cerca de 10 milhões de sacas, a metade da safra 92/93, já que não há sinais de recuperação dos preços, hoje em torno de US$50 a saca de 60 quilos. A proposta será submetida ao CMN (Conselho Monetário Nacional) na reunião do próximo dia 30 e deverá vigorar a partir de 1o. de outubro. As dívidas vencidas até 30 de abril deste ano serão prorrogadas por mais cinco anos, com dois de carência, com desembolso de 25% a cada ano. Os débitos vencidos depois de abril de 92 ficarão prorrogados até abril de 93 e por mais seis meses se naquela data o preço de mercado não for equivalente a 85% do preço de referência. Essas dívidas, lastreadas pelo Funcafé, totalizam US$200 milhões. O governo vai recomendar a rolagem das demais-- junto ao Banco do Brasil e bancos privados--, que somam mais US$200 milhões (FSP) (GM).