A briga pelos recursos disponíveis na área do meio ambiente ameaça afastar as Organizações Não-Governamentais (ONGs) da América do Sul das necessidades reais do continente. A advertência foi feita ontem pela equatoriana Yolanda Kakabadse, ex-coordenadora da participação das ONGs na Rio-92. Segundo ela, as regras estabelecidas para concessão de empréstimos internacionais está ficando "perigosas" para as ONGs, uma vez que dão prioridade a determinados setores e estimulam uma disputa entre si pelo dinheiro. Yolanda Kakabadse participou ontem, em Paraty (RJ), do 3o. Encontro dos Membros Sul-Americanos da União Internacional do Meio Ambiente (Uinc). A equatoriana disse termer uma concentração de atividades das ONGs nas áreas de biodiversidade e clima, por se tratar de prioridades sinalizadas pelos gestores do Global Enviroment Fund (GEF), o fundo de meio ambiente do Banco Mundial (BIRD). "Estas áreas são importantes, mas nem sempre são prioridades para os povos que as ONGs dizem representar", criticou. Kakabadse também sugeriu às ONGs sul-americanas uma autocrítica. "Se quisermos ser respeitados, temos que parar já com a mania de dizer que representamos a sociedade. Não somos representantes de coisa nenhuma", disse. Para ela, as entidades ambientais não devem se achar donas do monopólio ecológico (JC).