Em depoimento cheio de negativas e alegações de falha de memória, a ex- ministra da Economia Zélia Cardoso de Mello disse ontem a seis deputados da CPI da VASP que não teve participação no processo de privatização da empresa. Ela disse que não tinha conhecimento do empréstimo feito pelo Banco do Brasil ao empresário Wagner Canhedo para a integralização do capital e negou ter pedido parecer sobre a rolagem da dívida com a instituição, contrariando o que asseguraram outros depoentes à CPI. A ex-ministra explicou como coincidência a autorização do desbloqueio de cruzados das empresas transportadoras recebidos até 29 de março de 1990. Nesta data, Ana Acioli-- secretária do presidente Fernando Collor-- depositou numa conta da transportadora Wadel, de Canhedo, dinheiro que retirara, pouco antes do bloqueio, de contas usadas para pagar despesas de Collor. A ex-ministra disse que houve muita pressão de políticos, e possivelmente até do gabinete de Collor, pela liberação, já que os transportadores ameaçavam fechar as estradas e paralisar o abastecimento no país. Isto criaria, segundo ela, um grande problema político que teria sido evitado pela medida (O Globo).