GUERRA ENTRE POLÍCIA E TRAFICANTES MATA DOIS MENORES

A guerra entre policiais e traficantes do complexo de morros do Parque Proletário da Penha, zona norte do Rio de Janeiro (capital), onde um PM foi sequestrado no fim de semana, fez outras vítimas na madrugada de ontem. Numa operação não autorizada pelo comando das polícias Civil e Militar, 14 homens de diversos batalhões e da Divisão de Repressão a Entorpecentes (DRE) invadiram o Morro do Sereno e da Caixa DÁgua, em busca do cativeiro do soldado Paulo Valentim Leite. No tiroteio que se seguiu à invasão, morreram os menores Nílson Leonel da Silva e Reinaldo José do Nascimento, ambos de 16 anos e moradores da favela. Também um soldado PM ficou ferido. Como a batida não teve autorização, os PMs envolvidos-- já identificados-- deverão responder a inquérito e provavelmente serão punidos pelo Conselho Disciplinar da corporação. O secretário de Polícia Civil e vice-governador, Nilo Batista, disse que a política do governo do estado de combate ao tráfico de drogas é adequada e vem sendo executada com eficiência. Para ele, a polícia tem sido vitoriosa: "Em um ano e meio de governo Brizola apreendemos mais drogas do que todo o governo passado". A Secretaria vai distribuir nas favelas onde forem realizadas operações de combate ao tráfico de drogas um folheto com o timbre do governo do estado e o slogan "Operação policial: sua comunidade com segurança e dignidade". A medida terá por objetivo alertar os moradores sobre a ação da polícia e reprimir eventuais atividades clandestinas de policiais nos morros, como incursões isoladas sem autorização. O presidente do Clube dos Oficiais da PM e do Corpo de Bombeiros, tenente- coronel Ivan de Souza Bastos, convocou ontem os PMs a entrarem em greve como forma de protesto pela morte de alguns soldados "e pelo estado de penúria em que estão vivendo, sendo muitos deles obrigados a morar em favela devido aos baixos salários". Ele criticou as ameaças feitas por policiais durante o sepultamento do segundo-sargento Josimar Fontarigo Alonso, assassinado por traficantes. "Eu apoio o sentimento desses policiais, mas nada justifica o que se pretende fazer: subir morros indiscriminadamente e promover assassinatos. O PM não deve ser instrumento de determinadas idéias. A sua revolta deveria ser contra o governo. É parar, fazer greve, para ser tratado com dignidade", disse (JB) (O Globo).