Um compromisso de solidariedade com as mulheres, inclusive no desejo de serem sacerdotisas, com a "conquista dos altares e púlpitos", de solidariedade com os trabalhadores e com os migrantes e sua luta pela reforma agrária; de solidariedade com os negros para que "possam expressar sua fé, de maneira própria, na Igreja"; e solidariedade com os indígenas, lutando junto pela demarcação de suas terras e pela sua autonomia, com respeito as expressões religiosas, como primeiro passo do processo de Inculturação" do Evangelho. Esta série de compromissos fazem parte da Carta de Santa Maria (RS), documento final do 8o. Encontro Interclesial de Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), que teve a participação de quase três mil bispos, padres e leigos de 21 países da América Latina e do Caribe. Na análise feita no documento final, os 500 anos de história do continente americano foram, na verdade, "um longo cativeiro": "Os opressores diziam que nossos deuses eram falsos; nossos ritos, superstição; nossos mitos, heresia; nossos costumes, pecado". Por isto, ressalta a Carta, os povos americanos moram em roças, favelas, cortiços, reduzidos a mão-de-obra barata, gente sem terra, sem comida, sem saúde, sem moradia. O documento faz duras críticas à Igreja: "A cruz de Cristo foi usada como cabo de espada que nos matava em nome de Deus; e as igrejas eram enfeitadas com o ouro retirado da terra com o preço de nosso sangue. Mesmo assim, não conseguiram destruir nossas raízes e nossa fé no Deus da vida". As CEBs concluíram ter uma missão a cumprir, na luta pelos oprimidos, ao descobrirem que Deus estava com eles e falava pela vida. Para o bispo de São Félix do Araguaia (TO), dom Pedro Casaldáliga, o grande desafio das CEBs daqui para a frente será assumir o clamor dos pobres do Terceiro Mundo e promover a inclusão do Evangelho, na cultura dos oprimidos, aceitando-a. "As quedas, as utopias, as decepções políticas na América Latina despertaram a autocrítica dos negros, mulheres, índios, trabalhadores e migrantes. As CEBs perceberam isso e, agora, precisam trabalhar essa questão, da oportunidade à participação de todos, sem caudilhismos e sem vanguardismos", disse (JB).