O Brasil é um território estratégico para a produção e escoamento da cocaína do Peru e da Bolívia, os dois maiores produtores mundiais da droga. Também serve de rota para os traficantes colombianos, que controlam grande parte da distribuição para os EUA e Europa. Pela primeira vez, porém, se detecta a existência de laboratórios de refino de cocaína no país, com a descoberta pela Polícia Federal de cinco instalações. Isso faz supor que as quadrilhas brasileiras, que antes apenas davam suporte ao tráfico da droga vinda dos países vizinhos, conquistaram maior poder e já se arriscam a uma produção própria. A conclusão é do último relatório anual do Departamento de Estado norte-americano sobre narcotráfico no mundo. As autoridades de repressão às drogas dos EUA observam que faltam dinheiro, pessoal e equipamentos para policiar a extensa fronteira, os portos e os aeroportos brasileiros, o que facilita um trânsito em duas mãos: fornecimento aos laboratórios clandestinos dos países vizinhos do éter, acetona e outros produtos químicos para fabricação do sal de cocaína e a passagem da droga pelo Brasil, já refinada. As cidades de Manaus (AM) e Belém (PA) são citadas, no capítulo brasileiro do relatório, como importantes entrepostos por onde passa a cocaína sul-americana transportada em navios para os EUA e a Europa. Já as bases do tráfico feito por via aérea e terrestre são Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP), além de cidades de fronteira com países produtores da droga, como Corumbá (MS). Os negócios no mundo do narcotráfico movimentam por ano algo em torno de US$300 bilhões, o equivalente ao PIB do Brasil, segundo estimativa do relatório (O ESP).