EMPRESÁRIOS JÁ CRITICAM MARCÍLIO

Depois de uma longa lua-de-mel, os empresários já aceitam a saída do ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira. Consideram esgotada a estratégia de estabilização aplicada até aqui. O desgate tem prejudicado os negócios e a vida de todos. Desde outubro de 1991, a inflação, pela FIPE, nunca esteve abaixo dos 20%; o desemprego na Grande São Paulo mantém-se em 16% desde junho, recorde em sete anos de pesquisa do DIEESE; a arrecadação de ICMS nos estados caiu em média 10% desde janeiro deste ano; a sonegação de impostos federais chega ao limite da desobediência civil. Poucos fazem suas críticas abertamente, numa atitude de reverência ao ministro Marcílio. Mas o sapato, ao que tudo indica, apertou demais e, com todo respeito, empresários e economistas começam a manifestar sua aflição diante de um ministro da Economia de mãos atadas. O saldo é favorável, mas no combate à inflação a equipe foi
50395 medíocre, avalia o economista Carlos Geraldo Langoni, da FGV (Fundação Getúlio Vargas). Para ele, a política econômica apresenta resultados pobres e hoje é apenas uma acomodação. Nem mesmo o presidente da ABRASCA (Associação Brasileira das Companhias de Capital Aberto), Luiz Fernando Furlan, está convencido de que a atual equipe econômica ainda pode ter as respostas para tirar o Brasil do atoleiro. Furlan foi um dos articuladores do movimento Brasil S.A., que há dois meses patrocinou um jantar de apio a Marcílio. Ele acha que, desde então, o processo político atropelou o econômico e deteriorou-se a unidade em torno do nome de Marcílio. As lideranças da iniciativa privada elogiavam o ministro até há uma semana, relembra Roberto Teixeira da Costa, presidente da Brasilpar. "Todos lamentavam apenas que o esforço do ministro não se refletia em números", diz. "A situação inverteu-se de repente. Agora criticam abertamente a política econômica e consideram somente que ele fez o que podia" (JB).