EMPRESAS BRASILEIRAS REMETERAM US$1,034 BILHÃO PARA O EXTERIOR

Nunca as empresas brasileiras enviaram tanto dinheiro para o exterior pelos caminhos legais. O último levantamento do Banco Central mostra que em 1991 os investimentos de companhias brasileiras em outros países bateram todos os recordes e chegaram à cifra de US$1,034 bilhão, quase o dobro dos US$556 milhões que saíram em 1989, antes da posse do governo Collor. Em 1988 foram US$177 milhões e em 1990 US$732 milhões. Mas a classificação de Investimento" é apenas para constar nos relatórios do BC. O grosso do dinheiro seguiu, mesmo, para onde não estão fábricas, canteiros de obras ou supermercados com nomes conhecidos para os brasileiros, e sim para um dos países chamados de paraísos fiscais, nos quais a generosidade da legislação (a origem do dinheiro e para onde ele vai são o que menos importa) permite a abertura de empresas de fachadas. Foram as Ilhas Cayman que receberam quase 80% do que saiu do Brasil, ano passado, sob a rubrica de investimento brasileiro no exterior: US$770 milhões. Por trás desses números está a imensa facilidade de se abrir uma empresa num paraíso fiscal. Além das Ilhas Cayman, são hoje paraísos fiscais as Ilhas Virgens Britânicas, Curaçao (ex-Antilhas Holandesas), Luxemburgo e Liechstenstein. O Panamá já viveu dias melhores, mas caiu para segundo plano depois da intervenção norte-americana, em 1989. Em compensação, a Tunísia e Gibraltar aparecem como os mais novos integrantes do grupo, que inclui ainda o vizinho Uruguai. Um levantamento mais detalhado revela quais as grandes empresas brasileiras que estão presentes em paraísos fiscais, lado a lado com firmas de fachada. O Votorantim, um dos maiores grupos privados nacionais, mantém uma subsidiária nas Ilhas Cayman, para onde remeteu US$6 milhões em abril deste ano, e outra em Curaçao. No Uruguai, o grupo Gerdau passou a ser representado, recentemente, pela siderúrgica Laisa. E em Luxemburgo está o Pão de Açúcar, com uma "holding" (O Globo).