MINISTROS VOLTAM A DISCUTIR SAÍDA NEGOCIADA DE COLLOR

Um grupo de ministros civis e militares discute a saída negociada do presidente Fernando Collor. Eles pretendem voltar a sugerir a renúncia, caso a abertura do processo de Impeachment" seja aprovada pela Câmara dos Deputados. Mesmo os mais fiéis a Collor, entre eles Ricardo Fiúza, que responde pelo Ministério da Ação Social e pela coordenação política do governo, defendem uma negociação com a oposição para garantir que a eventual transição para o governo de Itamar Franco ocorra sem sobressaltos. Há duas correntes. A primeira, que inclui Célio Borja (Justiça) e Marcílio Marques Moreira (Economia), acha que a renúncia abreviaria o sofrimento do país. A segunda, liderada por Fiúza, acredita que o presidente ainda não esgotou sua defesa. Pelo menos três pessoas já sugeriram a renúncia ao presidente: o senador Guilherme Palmeira (PFL- AL), que se afastou de Collor, o chefe do Gabinete Militar, general Agenor Homem de Carvalho, que recebeu uma descompostura, e o ex-ministro Jorge Bornhausen, que deixou o governo. O presidente Fernando Collor é o principal motivo de vergonha para 22% dos brasileiros com direito a voto. Outros 17% se dizem embaraçados com "os roubos do governo", segundo pesquisa realizada pelo "DataFolha" que entrevistou 2.558 pessoas. Há um ano, a principal causa de vergonha dos brasileiros era a miséria do país (FSP).