Única obra do setor tocada pelo governo Collor, a hidrelétrica de Xingó- =- que aparece nos disquetes apreendidos na empresa de PC Farias-- teve seu orçamento original (em dólar de 1986) elevado de US$1,8 bilhão para US$3,3 bilhões em outubro de 1991, segundo consta de relatório elaborado por um grupo de funcionários da ELETROBRÁS, em outubro do ano passado. O superfaturamento de US$1,5 bilhão foi possível porque o contrato assinado com o consórcio construtor-- formado pelas empreiteiras CBPO (grupo Odebrecht), Constran e Mendes Júnior--, estranhamente escapou das novas condições de mercado impostas pelos Planos Collor 1 e 2. Desta forma, as empreiteiras se livraram do congelamento de preços e serviços e da renegociação de prazos para pagamento. Além disso, o consórcio foi privilegiado por uma série de compensações por conta de riscos que não ocorreram e antecipações de pagamentos, incomuns em contratos do governo. O relatório observa ainda que foram justamente "os itens de obras civis e montagem e transporte em moeda nacional que tiveram seus custos elevados, enquanto que os itens de equipamentos importados e custos indiretos foram reduzidos". Ou seja, tudo que dependia das empreiteiras e das empresas transportadoras tiveram seus preços inchados (O ESP).