FIESP PEDE MAIS DIÁLOGO

Chegamos a seguinte conclusão filosófica: entre empresários, temos que
50373 nos entender, afirmou ontem o presidente da FIESP, Mário Amato, após reunir-se em Buenos Aires com representantes da UIA (União Industrial Argentina). Na qualidade de primeiro vice-presidente da brasileira CNI, Amato foi discutir com seus colegas locais os problemas causados pela invasão de produtos brasileiros, tema diário da imprensa argentina. Essa situação é transitória, não há por que se alarmar, o Brasil
50373 também teve déficit com a Argentina durante três anos seguidos. Temos
50373 que evitar que os problemas se tornem emocionais e pessoais, disse Amato, acrescentando que, "nós, empresários, temos que nos entender. Se partirmos para a retaliação emocional, não seremos dignos da associação que pretendemos formar a partir de 1995". O presidente da FIESP propôs que, a partir de agora, as entidades empresariais dos dois países assumam maior protagonismo na busca de soluções para o desequilíbrio da balança comercial, cujo superávit em favor do Brasil está previsto, no mínimo, em US$1 bilhão neste ano. Os colegas argentinos de Amato concordaram com a sugestão e acertaram-se detalhes para que, de agora em diante, os grandes problemas do MERCOSUL passem a preocupar prioritariamente a UIA e a CNI, bem como as federações regionais de ambos os países. Serão estabelecidos mecanismos de consulta prévia entre as entidades, que, sem legitimar práticas de "dumping" ou protecionismos, tratarão de encontrar formas de integração que levem ao crescimento do mercado global, com vistas à competição em terceiros mercados. Mário Amato afirmou ainda que "os problemas da balança comercial ocorrem agora por causa da recessão brasileira. O aumento das nossas exportações não é voluntário, é uma necessidade". Segundo ele, o problema é transitório e conjuntural e que, quando o Brasil voltar a crescer, será novamente um grande mercado para os produtores argentinos. O presidente da UIA, Eduardo De La Fuente, definiu como Ingênua" a política argentina de abertura às importações e "desastrosa" a política cambial. "Os equivocados somos nós, os argentinos. Se eu fosse brasileiro, estaria fazendo o mesmo. Se não aproveitam vocês, aproveitarão outros países", afirmou (JB) (GM).