SUPERÁVIT COMERCIAL É FENÔMENO RECENTE

A balança comercial Brasil-Argentina está favorável para o lado brasileiro e os empresários argentinos não estão dispostos a conviver muito tempo com isto. Fazendo pressões junto ao governo, acusam os brasileiros de estar praticando "dumping" na Argentina. O governo já deu sinais de que não vai ceder às pressões, mas caso mude de idéia adotará um tipo de política protecionista que vai na direção contrária ao esforço de consolidação do MERCOSUL. A economista Sandra Polônia Rios, do Departamento Econômico da CNI, contesta cada alegação dos empresários argentinos no trabalho "As simetrias macroeconômicas e do comércio Brasil-Argentina". Segundo ela, o Brasil conviveu com déficit comercial desde 1989 e só no primeiro semestre deste ano a situação se inverteu. De janeiro a julho passado, houve superávit comercial brasileiro em relação a Argentina de US$533 milhões e a perspectiva é de que suba para US$1 bilhão até o fim do ano. Sandra Rios explicou que o aumento das exportações brasileiras foi a única saída encontrada pelos empresários nacionais para fugir da recessão interna e a escolha da Argentina é facilmente explicável: enquanto lá há um período de desvalorização do peso, o Brasil convive com uma política de sistemática valorização do cruzeiro. Daí se conclui, continua, que cabe à Argentina mudar sua política cambial e não o contrário. O comércio Brasil-Argentina é o seguinte: 1989 (US$607 milhões-- déficit), 1990 (US$753 milhões-- déficit), 1991 (US$109 milhões-- déficit) e 1992, 1o. semestre (US$533 milhões-- superávit) (JB).