Os secretários de Agricultura de São Paulo, José Antônio Munhoz, e de Minas Gerais, Alysson Paulinelli, decidiram abandonar ontem as negociações que vinham mantendo com o governo federal e o setor privado para buscar medidas que solucionem a crise da cafeicultura. Os secretários saíram no meio de uma reunião, ontem, no Ministério da Economia, decepcionados com a decisão do governo de não fixar um preço mínimo de garantia para o café. Os débitos vencidos e a vencer dos cafeicultores somam um total estimado em cerca de US$350 milhões. A proposta do governo federal, que será oficializada na próxima semana, é de que este montante seja pago em de duas maneiras. As dívidas vencidas até abril de 1992 serão pagas em um prazo de cinco anos, com dois de carência, em parcelas iguais estabelecidas com base em um preço de referência de US$73 a saca. Caso, até outubro de 1994, o preço de mercado do café não tenha atingido este nível de referência, a parcela anual será prorrgada para 1997 e assim sucessivamente. Já as dívidas vencidas entre abril e dezembro de 1992 serão transferidas para abril de 1993. Se, então, o preço de mercado permanecer abaixo do nível de referência, estes débitos serão prorrogados por mais seis meses. O governo deverá, ainda, liberar US$20 milhões para investimentos, e US$10 milhões para capital de giro das cooperativas de cafeicultores, além de uma dotação de US$200 a US$300 milhões para estocagem e comercialização da safra 1992/93 e custeio da safra 1993/94 (GM).