Com uma carta que surpreendeu pela defesa do presidente Fernando Collor e pelas críticas ao Congresso Nacional e à CPI do caso PC Farias, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Jorge Bornhausen, renunciou ontem ao cargo. No momento em que Collor, na prática, tomou conta de suas funções, assumindo pessoalmente a coordenação política do governo, Bornhausen, numa carta em tom afetuoso, defende o presidente da República e seu governo, elogia o Ministério e a base parlamentar de Collor, e desfia uma série de críticas à CPI, ao PMDB, ao presidente da Câmara, Ibsen Pinheiro, e ao presidente do Senado, Mauro Benevides. Sem dizer expressamente que sugeriu ao presidente apresentar ao Congresso uma proposta de renúncia negociada, Bornhausen afirma na sua carta de demissão que, "definida outra linha" para o mais recente pronunciamento de Collor à Nação, teve a convicção de que "a partir daí, o governo necessitaria de um novo coordenador político". Bornhausen afirma que a CPI sofreu um Impacto político-eleitoral"; que o presidente da Câmara adotou um procedimento que cerceia o direito de defesa do presidente; e que o presidente do Senado contrariou a Constituição ao aceitar a indicação exdrúxula do senador José Paulo Bisol (PSB-RS) para a vaga do PDS na CPI. Defendendo Collor, Bornhausen disse que é testemunha de que ele não interferiu nas investigações realizadas pela Polícia Federal e pela Receita Federal, determinadas pelo próprio presidente "na primeira hora da crise". O ministro da Ação Social, Ricardo Fiúza, será o novo coordenador político do governo no lugar de Bornhausen. Ele acumulará a Secretaria de Governo com o Ministério da Ação Social, o que aumentará seu poder de pressão sobre os parlamentares que votarão o processo de Impeachment" de Collor (O Globo) (JB).