Empresários do Grupo de Indústria de Alimentação (GIA) se reuniu ontem, no Rio de Janeiro, para indicar representantes junto à Confederação Nacional da Indústria (CNI), visando as negociações do MERCOSUL e a participação nos fóruns tributários e de legislação alimentícia. O cadastramento de todas as indústrias e sindicatos do setor será feito pelas federações de cada estado para que "as empresas que são afetadas pela mesma legislação tenham condições de opinar", explicou o presidente do GIA, Edmundo Klotz. O grupo acredita que alguns assuntos, como normas técnicas, marcas e patentes e acordos anti-"dumping", devem ser discutidos por representantes da CNI a partir das reivindicações dos 48 setores da indústria de alimentação. Os temas conflitantes precisam da competência e credibilidade da CNI na obtenção de acordos favoráveis às indústrias brasileiras. As críticas ao MERCOSUL se baseiam na falta de reciprocidade entre os países. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carnes (ABIEC), Ferdinando J. Carollo, afirma que "não devia haver competitividade entre Brasil e Argentina, quando os dois são os únicos produtores mundiais de certos derivados de carne". Ele acrescenta que, apesar de existir um acordo provisório estabelecendo que as normas e padrões de qualidade são as do país exportador, a Argentina não cumpre o trato, o que inviabiliza as exportações desses produtos. Quanto ao setor de bebidas, atualmente sem regulamentação no Brasil, o vice-presidente da Associação Brasileira de Bebidas, Oscar Rodriguez, salienta que "enquanto a Argentina propõe um novo código de bebidas no MERCOSUL, nós somos motivos de chacota com o projeto de lei há sete anos no Congresso" (JC).