O ex-ministro da Infra-estrutura, João Santana, que espera ser eleito no próximo dia 23 representante do Brasil na direção do BIRD (Banco Mundial), por indicação do presidente Fernando Collor, autorizou em fevereiro último a ELETROBRÁS a dar calote numa dívida de US$15,8 milhões com o próprio BIRD. Os recursos serviram para pagamento das empreiteiras que constróem a hidrelétrica de Xingó. O calote irritou a equipe econômica e levou o Banco Central a determinar o bloqueio de todas as contas bancárias da ELETROBRÁS. Santana comprou a briga com a equipe econômica, sustentou o calote e, para driblar o bloqueio das contas bancárias, determinou à LIGHT que fizesse os pagamentos pela ELETROBRÁS. Principalmente os destinados às empreiteiras CBPO (do grupo Odebrecht), Constran e Mendes Júnior. Nos disquetes apreendidos pela Polícia Federal numa empresa de Paulo César Farias, o nome Xingó aparece ao lado do percentual 30%, reforçando antigas suspeitas de funcionários da ELETROBRÁS de que PC manejava os pagamentos do governo às empreiteiras. O ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira, é contrário à indicação de Santana, mas, na condição de chefe da delegação brasileira na reunião conjunta FMI-BIRD, que começa dia 22 em Washington (EUA), é possível que seja obrigado a apresentar o nome escolhido por Collor. A equipe de Marcílio acha que a imagem de Santana não recomenda que ele seja o responsável pela defesa de créditos brasileiros no BIRD. Santana está envolvido no chamado "esquema PP" na PETROBRÁS. Sua vida financeira está sendo vasculhada pela Justiça, que determinou a quebra do seu sigilo bancário nos últimos cinco anos. Além disso, ele é acusado pelo ex- deputado Sebastião Curió de favorecer, em troca de propina, um grupo de interesse no garimpo de Serra Pelada (O ESP).