O acordo para as operações MERCOSUL não está funcionando exatamente como esperava a indústria têxtil brasileira. Durante reunião realizada ontem na sede da FIESP, o representante do governo argentino-- seu nome não foi citado--informou que os empresários do setor que assinaram acordo com o Brasil no último dia 11 de agosto em Assunção (Paraguai) ainda não submeteram o documento à análise formal do governo, como o combinado. O coordenador da comissão da área internacional da ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil), Edmondo Triolo, disse que a Argentina alegou que "gostaria que os quatro países assinassem o acordo para evitar falhas técnicas". Até agora, nem o Uruguai e nem os confeccionistas paraguaios assinaram. Triolo salientou que a onda de exportações para a Argentina não deve ser tratada com grande euforia pois trata-se de uma situação que pode mudar como já ocorreu antes. O Brasil apresentou o acordo à análise do governo mas o diretor executivo do ABRAGAS (Associação Brasileira de Produtores de Fibras Artificiais e Sintéticas), Carlos Roberto de Castro, admitiu que pode haver algumas alterações. Na verdade, uma das principais bases para se chegar ao consenso foi o estabelecimento de cotas para importação dos produtos em troca do fim da lista de exceções. Só que essa limitação (cotas), pode ser considerada em desacordo com os termos do Tratado de Assunção. O acordo assinado pelo setor têxtil é também mais rígido ao estabelecer o critério de origem e percentual de nacionalização a ser exigido para que o produto tenha os benefícios tarifários (GM).