O ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira, argumentará junto ao diretor-gerente do FMI, Michel Camdessus, que a crise política brasileira torna inviável a fixação de metas de desempenho econômico para o último trimestre deste ano, ao contrário do que estabelece a carta de intenções em vigor. A equipe econômica concluiu pela impossibilidade de apresentação de novas metas. O encontro de Marcílio com Camdessus ocorrerá durante a reunião anual conjunta do FMI-BIRD, em Washington (EUA), de 19 a 25 deste mês. Apesar de não ter cumprido no primeiro semestre as metas nominais (déficit público e emissão de moeda) fixadas na carta de intenções, basicamente por causa da frustração das metas de inflação reduzida, Marcílio usará como argumento favorável ao Brasil o bom desempenho da economia em outros setores. Mesmo com queda de arrecadação, o Tesouro Nacional vem registrando crescentes saldos de caixa, alcançando Cr$1 trilhão em agosto. O mesmo pode-se dizer do saldo comercial, que ficou em torno de US$1,5 bilhão, e das reservas internacionais, próximas a US$23 bilhões. Com a suspensão das negociações com o FMI até a solução da crise política, o programa de ajuste da economia ficou sem metas para o segundo semestre, o que na prática significa o congelamento do acordo e da liberação das parcelas do empréstimo de US$2,1 bilhões contratado em janeiro deste ano. Ontem, em Washington, o Brasil foi citado várias vezes pela diretoria da International Finance Corporation (IFC, braço privado do BIRD) como exemplo de nação que no momento parece remar contra a maré. "Temos notado um vigoroso crescimento em vários países da América Latina. O processo no Brasil, porém, está bem mais lento", disse William Ryrie, vice-presidente executivo da IFC, ao divulgar o informe anual da agência, que revela um significativo aumento dos investimentos estrangeiros na região. México, Venezuela e Argentina foram os três maiores beneficiados com esse aumento. O Brasil aparece em quarto lugar (O Globo) (JB).