As mulheres-- especialmente aquelas que se apaixonam-- correm risco maior de pegar AIDS. Segundo os médicos, sempre que se envolve afetivamente, a mulher passa a confiar no parceiro mais depressa do que deveria. A camisinha é deixada de lado. Aos riscos da paixão, os especialistas acrescentam outro: a mulher contrai AIDS do homem muito mais facilmente do que o inverso. "A capacidade da mulher de se apaixonar e confiar está fazendo dela uma vítima maior da AIDS", diz o infectologista David Everson Uip, médico do Hospital das Clínicas e do Instituto do Coração de São Paulo. Sete anos atrás, havia no Brasil uma mulher infectada para cada 43 homens portadores do vírus da AIDS. No ano 2000, segundo previsões da OMS, haverá uma mulher para cada homem infectado. Esse empate perigoso está a caminho: no Brasil, hoje, já há uma mulher para cada seis homens portadores do vírus. Em Santos (SP), a proporção já é de uma para quatro. Pesquisa feita em São Paulo com 80 mulheres contaminadas revelou que nenhuma delas transmitiu o vírus ao marido. O estudo foi feito com clientes particulares dos médicos David Uip, Vicente Amato Neto e Marcos Boulos. "As mulheres não sabiam que estavam com AIDS e não usavam preservativos. Ainda assim, os maridos não foram contaminados", diz Uip. A pesquisa bate com estudos da Universidade da Califórnia (EUA), revelando que a chance de transmissão do homem para a mulher é 17,5 vezes maior que o inverso (FSP).