Trabalhadores e empresários do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai concordam que a política cambial adotada em cada país será a maior barreira para o funcionamento do MERCOSUL. Ao lado de técnicos dos governos, eles começaram ontem, em São Paulo, um encontro de três dias para discutir os problemas de política industrial e elaborar propostas alternativas. Antonio Jara, diretor do Sindicato Nacional dos Metalúrgicos da Argentina, disse que o câmbio, congelado há 18 meses, "pode atrapalhar a produção interna". Segundo ele, "a Argentina está inundada de produtos importados". Nos 11 subgrupos encarregados de tornar viável a concretização do acordo de livre comércio na região, a partir de 1995, os trabalhadores brasileiros participam de quatro. A CUT estuda a integração desde 1988 e participa, como observadora, dos subgrupos de Política Industrial e Tecnológica, Política Agrícola e Política Energética. Do subgrupo de Relações Trabalhistas, todas as centrais sindicais da região participam. A formação do MERCOSUL é irreversível e os trabalhadores precisam
50277 acompanhar as discussões, explica Maria Sílvia Portela de Castro, assessora de política sindical da CUT. Segundo ela, os baixos salários pagos no Brasil também deverão ser uma barreira para a formação do mercado comum. "Há a necessidade de garantir a circulação de mão-de-obra com piso salarial e proteção do nível de emprego", conta Sílvia. Os sindicalistas pretendem lançar uma carta de princípios e garantias trabalhistas, com negociação coletiva internacional e formação de fundos sociais (O ESP).