O disco rígido do computador apreendido pela Receita Federal no escritório da EPC, empresa de Paulo César Farias, em São Paulo, discrimina, com detalhes, a cobrança de comissões para a liberação do dinheiro aos agricultores pelo Banco do Brasil para o custeio da safra recorde, para a compra de petróleo pelas distribuidoras e para as empreiteiras. "Essas comissões variavam de 3% a 30%", afirma um assessor do Ministério da Economia que teve acesso às informações. Segundo ele, ali está toda a planilha de cash do esquema PC. O empresário alagoano e ex-tesoureiro da campanha eleitoral do presidente Collor deverá pagar a maior multa já aplicada pela Receita Federal por sonegação fiscal, da ordem de US$136 milhões. A multa é de 150% sobre o valor não declarado ao fisco, que no caso das maiores empresas de PC-- EPC e Brasil-Jet-- chega a US$91 milhões entre 1990 e 1991. Não estão contabilizados os recursos que o "esquema PC" movimentou em contas bancárias de "fantasmas", abertas com nomes e CPFs falsos também para fugir do pagamento do Imposto de Renda. Além da multa, que não depende de procedimento judicial, PC deverá responde a processo por sonegação fiscal baseado no relatório da CPI (JB).