Dentro dos próximos oito anos, 38% das terras produtivas uruguaias, ou seis milhões de hectares, terão passado às mãos estrangeiras, sobretudo de fazendeiros do Brasil, que fazem estoques de terrenos com fins de especulação, segundo denunciou ontem o jornal "El País". De acordo com a publicação, uma das mais respeitadas do Uruguai, a presença brasileira é tão marcante, sobretudo nos departamentos (estados) de Cerro Largo, Treinta y Tres e Rocha, onde predomina a cultura de arroz, que até o ano 2000, 25% do território uruguaio deverão ficar sob controle de fazendeiros brasileiros. Além da compra de terras, os brasileiros estariam promovendo também uma silenciosa, porém maciça corrente migratória para o norte uruguaio, aproveitando-se da inexistência de uma adequada política de fronteiras e de leis que regulem a instalação de estrangeiros na região. Segundo o jornal, dentre os empresários estabelecidos no país e que utilizam a terra de forma produtiva, muitos contratam trabalhadores brasileiros sem documentação e lhes pagam salários de fome. A Igreja Católica do Uruguai também vem denunciando as péssimas condições a que são submetidos os imigrantes ilegais brasileiros, "quase no limite da escravidão, mesmo estando próximos de um novo século". Líderes políticos locais ouvidos pelo jornal enfatizaram que não mantêm qualquer sentimento de xenofobia mas disseram ser Inevitável" que os brasileiros Invadam o país para especular". Fazendeiros locais, no entanto, não parecem ver a regulamentação da entrada de estrangeiros como necessária. A assunção de terras do Uruguai por estrangeiros sempre preocupou mas nunca passou dos debates legislativos para providências concretas (JB).