O cardeal-arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, fez ontem um dos mais duros ataques de um membro da hierarquia da Igreja Católica brasileira contra um presidente da República, em sua mensagem de 7 de Setembro. "Ser roubado sempre machuca. Mas ser roubado por quem prometeu acabar com o roubo e com os marajás pode levar ao desespero", diz um trecho da nota. Na mensagem, intitulada "A Pátria merece melhor sorte", além de classificar indiretamente o presidente Fernando Collor de ladrão, dom Paulo elogia o grupo de ministros chamados "éticos": "É dom da providência que ainda tenhamos bons ministros". A mensagem de dom Paulo foi lida nas "vigílias de oração e jejum", convocadas pela CNBB. O presidente da CNBB, dom Luciano Mendes de Almeida, disse em Aparecida (SP) que é preciso acabar com o flagelo da corrupção na política do país. Ele fez o sermão da missa da 5a. Romaria dos Trabalhadores na Basília Nacional. A 5a. Romaria reuniu cerca de 120 padres de vários estados. Muitos participaram da missa com faixas na cabeça e braços pedindo "Fora Collor". Antes da missa houve uma passeata na basílica pelo Impeachment". O ato reuniu cerca de 50 mil pessoas. Dom Luciano disse que o Impeachment" do presidente Collor é um passo numa caminhada muito maior de mudança na vida pública. "A Igreja pede mais do que isso. Pede mudança total no país, para que se afaste toda a corrupção. Isso é muito mais do que o impeachment", afirmou. No Rio de Janeiro, membros de 14 tradições religiosas realizaram a 2a. Vigília Inter-Religiosa pelo Brasil, que terminou com a divulgação de uma mensagem aos brasileiros pregando a retomada de uma "consciência divina" como caminho para superar o "crescente desengano" por que passa a sociedade brasileira (FSP) (O Globo) (JB).