CABRERA ESPERA GANHOS COM O MERCOSUL

O Mercado Comum do Cone Sul (MERCOSUL), integrado pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, em fase de implantação, vai representar uma verdadeira revolução para a agricultura brasileira no que se refere à redução de custos, aumento de eficiência e de produtividade. Segundo o ministro da Agricultura, Antônio Cabrera, o MERCOSUL resultará em uma harmonização dos custos de produção entre os países que o integram. Uma das consequências práticas dessa integração será a redução significativa das alíquotas de importação de insumos (sementes, fertilizantes, defensivos), em benefício dos produtores brasileiros. Na Argentina e no Uruguai, estas alíquotas já estão praticamente zeradas. Se os insumos nestes dois países estiverem mais baratos que os importados pelas empresas brasileiras, ou mesmo os produzidos internamente, os produtores dos Estados fronteiriços, como o Rio Grande do Sul e o Paraná, terão a opção de importar. O mesmo acontecerá com as máquinas e equipamentos agrícolas. Se as empresas brasileiras não começarem a praticar preços compatíveis com os oferecidos pelos demais países do MERCOSUL, o produtor brasileiro poderá optar, por exemplo, por comprar um trator americano na Argentina, numa triangulação de operações. "Estas possibilidades deverão forçar uma baixa nos insumos produzidos internamente. A integração agrícola passa, forçosamente, pela integração na área industrial", garante o ministro. Cabrera não teme que a concorrência oferecida por países como a Argentina e o Uruguai prejudique o Brasil, no âmbito do MERCOSUL. Para o ministro, em condições reais de mercado, isto é, sem subsídios, o Brasil pode competir não só dentro do MERCOSUL, mas em relação a outros blocos comerciais já existentes, como a Comunidade Econômica Européia (CEE), o dos países do sudeste asiático e mesmo o recente bloco da Nafta, formado pelos EUA e Canadá. Quanto aos problemas referentes aos custos de produção da safra brasileira serão resolvidos, na avaliação do ministro, a partir da aprovação, pelo Congresso, da reforma fiscal, e pelo Senado, da nova Lei Portuária, já aprovada pela Câmara. Com a reforma fiscal, a tributação incidente sobre a agricultura brasileira ficará próxima à que já vigora na Argentina e no Uruguai-- 15% em média. Hoje, a tributação mínima em vigor no Brasil é de 25% e a máxima, de 42% (JC).