O esperado maior fluxo de investimentos estrangeiros canalizados para o México, em razão de sua abertura econômica e da adesão ao NAFTA, aumentará a competitividade dos produtos manufaturados mexicanos, sobretudo automóveis, eletrônicos e autopeças. A longo prazo, o Brasil enfrentará uma forte concorrência mexicana na América Latina na área de manufaturados, prevêem o diretor-geral da FUNCEX, Pedro Motta Veiga, e João Bosco Mesquita Machado, professor de economia da UFRJ, que estiveram ontem, no Itamaraty, com o embaixador Rubens Barbosa, subsecretário-geral de Integração, Promoção Comercial e Cooperação Técnica. Barbosa lembrou que 88% do que o Brasil exporta para os países da ALADI é de manufaturados. O Brasil é competitivo na região, mas poderá ser deslocado pelo México, ponderam os economistas. Para a FUNCEX, o México dificultará o acesso do MERCOSUL ao NAFTA. Por essa razão, a pior estratégia, agora, para o MERCOSUL, é fingir que nada está acontecendo. A sugestão é de que o MERCOSUL inicie imediatamente um diálogo com os EUA sobre a colocação em prática da Iniciativa para as Américas e a inclusão, no acordo-quadro, conhecido como "quatro mais um", entre Washington e os quatro países do Cone Sul, de temas como investimentos e dívida externa, e não somente comércio. Outra conclusão é que se trata da primeira vez que os EUA negociam uma cota de têxteis fora do Acordo Multifibras, que regulamenta o comércio internacional desses produtos. Recebendo uma cota generosa, o México deslocará do mercado norte-americano outros fornecedores de têxteis, entre eles o Brasil. Motta Veiga e Machado notam que o NAFTA não é um acordo de livre comércio, mas de comércio administrado, com salvaguardas e regras de origem severas e ausência de protecionismo (inexistência de barreiras não-tarifárias) apenas entre os seus três integrantes-- México, EUA e Canadá. Segundo Motta Veiga, os membros da ALADI vão pedir reciprocidade ao México em relação às concessões que aquele país fará aos EUA e Canadá (GM).