Seis meninas de rua entre 14 e 16 anos foram a grande atração da abertura do 2o. Encontro Internacional de Meninos e Meninas de Rua ontem na UERJ. Elas subiram ao palco do teatro com os rostos escondidos e denunciaram aos congressistas-- grande parte estrangeiros-- que foram espancadas por integrantes de grupos de extermínio anteontem à noite na Praça Saenz Pen~a, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro (capital). Chorando diante dos microfones, as meninas contaram que os agressores as jogaram ao chão com socos e pontapés e nem depois que elas caíram pararam de bater. Uma das meninas relatou que, durante o espancamento, os agressores as ameaçaram de morte e informou que todos são policiais-- civis e militares-- e seguranças de lojistas. A denúncia agitou representantes de 70 instituições nacionais e estrangeiras que participam do encontro. Eles aplaudiram o depoimento demoradamente, depois que Benedito dos Santos, do Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua, pediu ajuda para evitar situações como esta. "É preciso que a gente seja cúmplice da vida dessas meninas e não da morte delas", afirmou. Participavam do encontro representantes do UNICEF, da OMS, da OPAS e o sociólogo Herbert de Souza, secretário-executivo do IBASE (O Globo).