GOVERNADOR DA BAHIA DEPÕE NA CPI DA NEC

O governador da Bahia, Antônio Carlos Magalhães (PFL), admitiu ontem à CPI da NEC que pressionou a empresa no período em que a matriz japonesa tentava afastar o sócio brasileiro, Mário Garnero. O empresário diz ter sido pressionado por ACM para vender a NEC ao dono das Organizações Globo, Roberto Marinho. ACM era ministro das Comunicações no período e suspendeu os pagamentos do sistema TELEBRÁS para a NEC. A CPI ainda não decidiu convocar Marinho. Magalhães chamou Garnero repetidas vezes de "gângster" e "safado". Os contratos entre a TELEBRÁS e a NEC previam que os pagamentos seriam suspensos se o sócio brasileiro da empresa entrasse em concordata. Garnero ficou concordatário em 85, mas ACM preferiu manter os pagamentos. O governador disse ter recebido um "aval" da NEC japonesa. Em abril de 86, quando os japoneses decidiram afastar Garnero, ACM suspendeu os pagamentos para a NEC, segundo ele "para proteger o dinheiro público". Garnero contestou judicialmente o rompimento do contrato e acusou ACM de estar sufocando a empresa para obrigá-lo a vender suas ações para Marinho. No dia 23 de dezembro de 86, a participação de Garnero na NEC foi transferida para Marinho. Três dias depois a TELEBRÁS pagou US$30 milhões em créditos atrasados à empresa (FSP).