GOVERNO ARGENTINO ESTUDA SE ABRIRÁ PROCESSOS CONTRA PRODUTOS

O governo argentino informou ontem que está estudando se vai abrir processos anti-"dumping" contra fabricantes de pneus, câmaras de ar, frangos frescos, têxteis e tubos de ar comprimido importados do Brasil. A delegação argentina, chefiada pelo embaixador Jesús Sabra, que se reuniu com o subsecretário de Integração, Promoção e Cooperação Técnica do Itamaraty, Rubens Barbosa, esclareceu que nenhuma medida foi ainda tomada com relação a esses produtos. O Ministério da Economia está coordenando com o setor privado para, até o final da próxima semana, anunciar aos argentinos a lista de produtos do Acordo de Complementação Econômica (ACE-14) entre os dois países que terão suas cotas ampliadas para atenuar as pressões da União Industrial Argentina (UIA), que reclama do déficit de US$600 milhões na balança comercial com o Brasil no primeiro semestre deste ano. Os empresários brasileiros deverão pedir algum tipo de contrapartida ao aumento das importações provenientes da Argentina. As duas delegações concluíram que "as tensões conjunturais" deverão ser resolvidas dentro dos mecanismos do ACE-14 que não prevêem qualquer tipo de retaliação. A opinião entre os exportadores brasileiros é de consenso: a defasagem cambial da Argentina é a principal responsável pelo forte aumento das exportações para aquele mercado. "Enquanto houver disparidade de câmbio entre a Argentina e o Brasil, o MERCOSUL não será implementado", afirma Antenor Barros Leal, diretor do Grupo Pena Branca, uma das empresas exportadoras de frango para a Argentina. Em seu entender, as ameaças de imposições de direitos compensatórios sobre as vendas de frango brasileiros são apenas uma forma de pressão dos industriais argentinos no sentido de o governo de seu país promover um programa de recuperação cambial. Entre os atuais alvos de queixas dos argentinos estão as exportações brasileiras de pneus, que atingiram, até junho último US$38,6 milhões/FOB. Em todo o ano de 1990, elas não passavam de US$9,5 milhões. Da mesma forma, as vendas de câmaras de ar subiram de US$1 milhão, em 1990, para US$3,2 milhões no primeiro semestre de 92. E as exportações de produtos têxteis já estão em US$8,5 milhões, face aos tímidos US$450 mil comercializados em 1990. Neste primeiro semestre do ano, as exportações brasileiras de produtos de origem animal cresceram 700%, somando US$33,2 milhões. As vendas de carne de frango, com US$11,5 milhões, contribuíram para esses resultados (GM).