O presidente da FUNAI, Sidney Possuelo, disse ontem que a falta de recursos da Fundação tem impedido ações mais concretas para evitar o agravamento da situação dos yanomanis. Segundo ele, cerca de dois mil garimpeiros retornaram à área yanomani, em Roraima, onde já foram detectados quatro mil casos de malária e desnutrição entre os indígenas. "O delicado momento político não justifica omissões que possam causar a morte de brancos e muito menos de índios. Os serviços essenciais têm que ser mantidos, independente de questões políticas", disse Possuelo, lembrando que a FUNAI contesta a transferência para o Ministério da Saúde de responsabilidade pelo atendimento médico dos indígenas. O presidente da FUNAI explicou ainda que o retorno dos garimpeiros pode comprometer o investimento de US$5 milhões feito pelo governo no ano passado para retirar os profissionais da área. Em Boa Vista (RR), os dirigentes do Distrito Sanitário Yanomani (DSI) informaram que estão retirando os 240 médicos e paramédicos que vinham prestando assistencia aos índios localizados em 17 áreas atendidas pela entidade. Ficarão apenas três para atender aos casos mais graves, "pois não há mais condições de manter o pessoal no mato", segundo o médico Álvaro Praz. Nos últimos 15 dias, 44 índios morreram de malária em uma única aldeia da reserva yanomani por falta de medicamentos. De janeiro a maio deste ano, foram 60 mortes (JC) (O Globo).