BRASIL AUMENTARÁ COMPRA DE PRODUTOS ARGENTINOS

Chega hoje a Brasília (DF) uma delegação chefiada por Jesús Sabra, responsável na chancelaria argentina pelos assuntos de integração latino- americana, para estudar com diplomatas brasileiros um aumento de cotas-- favorável à Argentina-- de vários produtos incluídos no Acordo de Complementação Econômica bilateral (ACE-14). Aumentar a compra de produtos industrializados argentinos foi uma das medidas propostas por Buenos Aires e aceita pelo governo brasileiro com o objetivo direto de aplacar a irritação da União Industrial Argentina (UIA), que nos últimos meses tem-se queixado do déficit comercial na balança com o Brasil. No último dia 31, o ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, reuniu-se em Iguaçu com o chanceler argentino Guido Di Tella. Na reunião foram demonstradas a "sensibilidade e a flexibilidade" do Brasil, que se dispõe a implementar três medidas para tornar o intercâmbio mais equilibrado: Petróleo-- O Brasil deverá comprar 12 mil barris/dia assim que ficar solucionado o problema de preço e a isenção de imposto sobre importação de combustíveis. Farinha de Trigo-- O Brasil assumiu o compromisso de importar 200 mil toneladas/ano de farinha de trigo, a partir deste ano, em duas etapas: 150 mil até 20 de setembro e 50 mil até 20 de outubro. A argentina pediu a prorrogação desses prazos para novembro e dezembro porque não conseguiu organizar a comercialização do produto. Aumento de cotas-- O Brasil vai ampliar a importação de produtos argentinos sujeitos a cotas, que constam do ACE-14. Outra decisão tomada na reunião de Iguaçu foi a instituição de um mecanismo de consultas rápidas entre as duas chancelarias para evitar que o governo argentino, principalmente, sob pressão dos industriais, acate pedidos de ações anti-"dumping" contra o Brasil indiscriminadamente. No momento, a Argentina já anunciou que vai abrir investigações contra pneus, câmaras de ar, frangos frescos, têxteis e tubos de ar comprimido, exportados por empresas brasileiras. O mecanismo rápido tentará evitar que as investigações se concretizem, o que se fará através do monitoramento dos problemas comerciais (GM) (JC).