A caderneta de poupança foi durante décadas o grande instrumento de financiamento do setor imobiliário para a construção de residências. Hoje, no entanto, esse sistema parece esgotado, já que o aumento da inflação, a sofisticação do mercado financeiro e, principalmente, o confisco realizado no Plano Collor diminuíram a importância do produto. Os bancos estão, atualmente, com volumes de recursos aplicados em financiamento acima do patamar exigido pelo governo. Esse desequilíbrio ocorre porque, com o confisco de parte dos recursos do ativo em 1989, o saldo da poupança diminuiu consideravelmente. Como os bancos são obrigados a destinar apenas 60% do total captado para crédito imobiliário e o retorno dos recursos aplicados nesse setor ocorre somente a longo prazo, muitas instituições financeiras se encontram "superaplicadas", o que faz com que elas prefiram investir o que é captado hoje na chamada faixa livre de aplicação. As empresas de crédito imobiliário sofrem ainda dificuldades para recuperar os recursos aplicados no setor. Diversas medidas do governo ao longo dos anos beneficiaram os mutuários do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), alterando os índices dos reajustes das prestações. Isso provocou um descasamento entre ativo e passivo, criando um rombo de cerca de US$20 bilhões a ser coberto pelo Fundo de Compensação das Variações Salariais (FCVS). A estimativa da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP) é de que, em média, os bancos recebam apenas 15% do que deveriam com as prestações (GM).