A empresa gaúcha Medabil alugou, por US$3 mil mensais, um casarão para alojar os operários que trouxe à Argentina para montar o teto do hipermercado que o Carrefour está construindo na cidade de Quilmes. A informação foi dada ontem pelo diretor da Medabil, Antonio Bilibio, e confirmada pelo tesoureiro da seção de Quilmes da União de Operários da Construção da República (Uocra), Juan Leguizamón. Representantes da Uocra vistoriaram a casa e concordaram em que ela pode servir de abrigo para os brasileiros enquanto eles estiverem no país. Com isso se encerrou um episódio que é uma pequena amostra das dificuldades que terá o MERCOSUL para criar um espaço de livre circulação de bens, serviços, capitais e mão-de-obra, como estipula o Tratado de Assunção. O problema surgiu quando o sindicato argentino foi avisado, no início de julho, de que havia operários brasileiros trabalhando no canteiro de obras de 70 mil m2 do futuro hipermercado. Eram 27 trabalhadores da cidade gaúcha de Nova Bassano, Importados" junto com as estruturas metálicas fornecidas pela Medabil para a cobertura de 22 mil metros de área. A situação de total ilegalidade dos brasileiros, que, inicialmente, não tinham permissão para imigrar nem contrato de trabalho, irritou menos o sindicato argentino do que a denúncia de que os Intrusos" ganhavam o mínimo pago aos operários da construção locais-- US$0,96 por hora-- e a idéia de que estavam tomando o lugar dos trabalhadores argentinos. Alertados pelo sindicato, entraram em ação os inspetores dos ministérios do Interior e do Trabalho, mas àquela altura, também já estava atuando uma pequena construtora argentina, a Conargo, contratada pela Medabil para regularizar a situação dos brasileiros e figurar como empregadora. A Conargo registrou os operários e depositou no banco os 12% do salário bruto referentes às obrigações trabalhistas, cuidando para que a legislação argentina fosse cumprida à risca. O diretor da Medabil informou que os trabalhadores-- atualmente 34 e com regresso ao Brasil marcado para o final de setembro-- estão ganhando mais 25% sobre o salário pelo trabalho no exterior e que nem o alojamento, a alimentação ou a lavagem de roupa estão sendo descontados. A Medabil paga Cr$2,5 milhões para um chefe de obra, segundo Antonio Bilibio, e o menor salário é de Cr$1,5 milhão. O depósito, que antes servia de alojamento, continuará a ser usado como refeitório, com a concordância do sindicato argentino, que conseguiu negociar com outra empresa brasileira, a Operação, a redução do novo lote de operários brasileiros que chegaram para instalar os sistemas elétricos e sanitários. Com isso, serão contratados trabalhadores locais (JB).