CÂMARA RECEBE O PEDIDO DE "IMPEACHMENT" DE COLLOR

O presidente da Câmara dos Deputados, Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), recebeu ontem dos presidentes da ABI, Barbosa Lima Sobrinho, e da OAB, Marcelo Lavene`re, o pedido de Impeachment" do presidente Fernando Collor de Mello. O documento apresentou um rol de seis testemunhas que poderão ser ouvidas na tramitação do processo: o motorista Francisco Eriberto Freire França, a secretária Sandra Fernandes de Oliveira, o ex-presidente da PETROBRÁS, Luiz Octávio da Motta Veiga, o empresário Paulo César Farias, o doleiro Najum Turner, e o ex-secretário de Collor, Cláudio Vieira. A entrega do pedido teve clima de comício e foi presenciada por um público estimado em mil pessoas. A cerimônia terminou com gritos de "Fora Collor" e "Voto aberto". Com este ato, não faço mais que cumprir meu dever de cidadão, disse Barbosa Lima Sobrinho, num discurso curto, demoradamente aplaudido. A base de acusação a Collor é o relatório da CPI que investigou as atividades de PC. O presidente é acusado de receber vantagens indevidas, de mentir ao país num pronunciamento em rede nacional, de se omitir diante das práticas criminosas de PC de tráfico de influência e exploração de prestígio e de falta de decoro e de dignidade para o exercício do cargo. Presidentes de partidos de oposição e governadores assistiram ao ato e aprovaram o discurso feito pelo presidente da Câmara, Ibsen Pinheiro. Ele respondeu ao recente ataque do presidente Collor ao Congresso, ressaltando que o Legislativo "não se curvará porque não se intimidou e resistiu até à violência do AI-5", acrescentando que "aquilo que o povo quer, esta Casa acaba sempre querendo". O ritual do processo de Impeachment" foi definido ontem mesmo no Congresso: uma primeira votação na Câmara por maioria simples para dar início aos trabalhos, a constituição de uma comissão especial que dará 20 dias para Collor apresentar sua defesa e, finalmente, a votação que exigirá dois terços dos votos (abertos) para abertura do processo (O ESP) (FSP) (O Globo) (JB).