Depois da campanha pelo Impeachment" do presidente Fernando Collor, o sociólogo Herbert de Souza, secretário-executivo do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), quer iniciar uma campanha pela saída do ministro Marcílio Marques Moreira do Ministério da Economia. "O neoliberalismo é fundado em valores aéticos. O mercado não pode se regulamentar sozinho, porque é dominado por oligopólios que agem em causa própria", disse, ontem, na palestra "A Democracia como proposta", na Faculdade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro. Uma das principais críticas do sociólogo ao ministro diz respeito à meta prioritária de Marcílio, ou seja, a estabilização econômica. "O país está doente", protesta. "Quem é que quer ter estabilidade na doença?. O que precisamos é de mudanças radicais", afirmou. Herbert de Souza contesta também a prioridade desta aos compromissos internacionais. "Sempre pensei que os compromissos de um governo fossem internos, com quem o elegeu", disse. Os resultados apresentados pelos mercados de automóveis, de medicamentos e de comunicação servem de exemplo típico dos defeitos, por ele apontados, no neoliberalismo. "Os preços do setor farmacêutico subiram muitas vezes acima da inflação, desde que foram liberados, este ano. E o mercado de comunicação está nas mãos de sete famílias", afirmou, completando que o consumidor não tem voz ativa nesses mercados, "nem mesmo no setor farmacêutico, de vital importância para a necessidade básica da saúde". A postura dos militares ao longo de toda a crise política só merece elogios, na opinião do sociólogo. "Eles já deram mostras de reconhecer o Congresso como a instituição habilitada a resolver esse problema", disse. Já o comportamento dos ministros do chamado "grupo ético" é repudiado por Herbert de Souza. Ele lembra que quem decide a permanência ou não de pessoas no Ministério é o presidente da República, logo, eles não podem continuar no governo, tentando aparentar independência de seu chefe. Governar sem o presidente é golpe, acha. Para o sociólogo, quem mantém a governabilidade do país é a sociedade civil, que não parou de trabalhar e produzir no ritmo normal (JC).