RIO NEGÓCIOS DISCUTE MERCOSUL

Nesse período recessivo, as pequenas e médias empresas estão conseguindo dar a volta por cima da crise, revelando extrema capacidade de luta e organização. Prova disso é que a FLUPEME alcançou novamente o sucesso com a realização da 7a. Rio Negócios, que durante quatro dias, até ontem, transformou o Riocentro na capital brasileira das micro, pequenas e médias empresas em busca de grandes negócios. Mais do que a estimativa de US$25 milhões em volume de transações, a Rio Negócios obteve a consagração do empresariado como espaço para o fortalecimento das empresas de menor porte, além do debate que incluiu o futuro MERCOSUL. Os uruguaios temem o setor têxtil brasileiro enquanto que os brasileiros rejeitam os produtos lácteos uruguaios, porque são de melhor qualidade. Os argentinos tremem quando pensam na agroindústria brasileira, mais desenvolvida e, no caminho inverso, os brasileiros sabem que os grãos argentinos são bem superiores do que os nacionais. Os três países e mais o Paraguai-- que não receia e ainda não mete medo em ninguém-- formam o MERCOSUL. As negociações nos subgrupos do MERCOSUL, com exceção do grupo 8
50062 (política agrícola), estão muito lentas por questões de assimetrias e
50062 recuos dos países envolvidos, avalia o consultor do SEBRAE-SC, Celso Lino. Segundo ele, no entanto, "esses temores devem ser superados porque não somos inimigos comuns e sim parceiros que devem unir suas capacidades e competências para concorrer com os outros blocos que se formam no mundo". Assim como já existe a CEE, acabam de ser criados o NAFTA, o Cinturão Asiático, cuja liderança fica com o Japão, e outras associações do gênero na América Central e na Austrália. Existe, na opinião do consultor do SEBRAE, três razões que reforçam a tese de que o Brasil deve se integrar a seus vizinhos: por tendência, por concorrência e por interdependência. Segundo ele, "o empreendedor vai buscar a melhor solução para ele e o mau empresário vai tentar combater o MERCOSUL. Por outro lado, todos se beneficiarão com as novas medidas que serão tomadas pelo governo brasileiro que fará uma harmonização nas legislações tributárias, fiscais, cambiais e trabalhistas" (JB).