O geógrafo do IBAM (Instituto Brasileiro de Administração Municipal), François Bremaeker, informou que os municípios brasileiros de grande porte participaram com 73,8% de todo o crescimento da população brasileira na última década. Os prefeitos dos municípios de grande porte têm apontado a falta de uma política agrícola, a existência de indústrias em seus municípios, e a suposição de maior oferta de empregos e de melhor equipamento social como causas da migração continuada. "O processo migratório que assola o país não é recente, já existe há pelo menos 50 anos", afirma Bremaeker. Os resultados preliminares do censo de 1991 indicam a redução do crescimento populacional das regiões metropolitanas brasileiras devido a movimentos migratórios. No entanto, como afirma o pesquisador Hamilton Tolosa em estudo sobre a Região Metropolitana do Rio de Janeiro, "a prolongada recessão mantém a população a um passo da miséria". Segundo ele, em 1990, de uma população de 46,8 milhões nas nove regiões metropolitanas brasileiras, 32,9 milhões eram pobres. Em 1991, o Rio de Janeiro contava com 3,6 milhões de habitantes situados abaixo da linha de miséria, considerando aqueles que ganham menos de 1,3 salários-mínimos por mês (JB).