A REPERCUSSÃO DO DISCURSO DE COLLOR

Sindicalistas, políticos, entre outros, comentaram ontem o pronunciamento do presidente Fernando Collor. A seguir alguns comentários: Itamar Franco (vice-presidente)-- "Caberá à sociedade em particular e ao Congresso Nacional a devida avaliação do pronunciamento do senhor presidente da República, face à crise que o país atravessa. Tenho a convicção de que as instituições não serão abaladas sob nenhuma forma ou pretexto, prevalecerá a ordem constitucional vigente". Jair Meneguelli (presidente da CUT)-- "Estou aliviado porque ele não renunciou. Isso não seria bom porque se falava que ele poderia aceitar a renúncia em troca de um idulto. Mas queremos tirá-lo da Presidência pelo impeachment, para que ele tenha os direitos políticos cassados e ser preso". Luiz Antônio de Medeiros (presidente da Força Sindical)-- "Acho que o presidente abriu um ponto de negociação quando disse que considera finalizada sua missão com a modernização do país. Essa afirmação pode deixar o Congresso mais flexível. A renúncia negociada, que é o que propomos, começa a ter pauta. Talvez isso abra um caminho que aponta para a modernização". Orestes Quércia (presidente do PMDB)-- "O pronunciamento foi fraquíssimo. Collor apenas exercitou o direito de espernear. Um sujeito que precisa explicar coisas como ele fez na TV não pode ser presidente. Seu pronunciamento reflete uma luta desesperada para manter-se no poder, mas o processo de impeachment é irreversível". Geraldo Bulhões (governador de Alagoas)-- "Mantenho confiança no presidente da República". Tasso Jereissati (presidente do PSDB)-- "Collor não esclareceu nada no seu pronunciamento, pois não acrescentou nada de novo que modifique os rumos que a CPI do PC traçou". Dom Mauro Morelli (bispo de Duque de Caxias)-- "O problema do presidente deixou de ser da alçada do ministro Célio Borja para ser do Abid Jatene. Com tanto desvario, prefiro duvidar de sua sanidade mental". Herbert de Souza (secretário-executivo do IBASE)-- "Espero que esta tenha sido a última matéria publicada com o dinheiro público. O presidente, através desse pronunciamento, demonstrou que está insano, que ignora e desrespeita a inteligência de 140 milhões de brasileiros, que se confronta com o Congresso e apresenta uma argumentação que nem uma criança de sete anos poderia levar em consideração. Tenho esperança de que esta seja a última fala pública do presidente Collor". Fábio Konder Comparato (jurista)-- "A Nação deve, agora, evitar que o presidente Collor negocie um conchavão com o Congresso par fugir às suas responsabilidades criminais" (O Globo) (JB).