PESQUISADORES FARÃO CENSO DA SAÚDE INDÍGENA

A Fundação MacArthur, dos EUA, está financiando um dos maiores levantamentos sobre saúde indígena feitos no Brasil. É um projeto de três anos, que irá avaliar aproximadamente três mil índios dos grupos tupi-mondé (Rondônia e norte do Mato Grosso), xavante e nambikwára (Mato Grosso). Os três grupos englobam um total de nove mil índios. Esses grupos enfrentam problemas graves de saúde devido a aculturação, processo em marcha acelerada especialmente em RO e MT. As crianças tupi-mondé, por exemplo, enfrentam sérias dificuldades: 45% delas estão desnutridas. O índice é maior que o encontrado nas áreas mais pobres da região Nordeste, onde a prevalência de desnutrição é de cerca de 24%. As crianças índias, como as nordestinas, já estão com a estatura menor por causa da desnutrição. O grupo tupi-mondé concentra as tribos zoró, gavião e suruí, num total aproximado de mil índios. Quase 70% das índias suruí sofre de inflamações genitais. O grupo tupi-mondé enfrenta uma série de doenças sexualmente transmissíveis. Este grupo e o xavante já tiveram o estado de saúde parcialmente avaliado em estudos anteriores. Já os nambikwára terão a saúde acompanhada pela primeira vez. A Fundação MacArthur destina anualmente sete bolsas para o Brasil, para estudos sobre meio ambiente, saúde e população. O projeto atual será realizado por uma equipe de 10 pesquisadores, entre os quais o brasileiro Ricardo Ventura dos Santos. Ele é pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública, da FIOCRUZ, no Rio de Janeiro (FSP).