O presidente Fernando Collor admitiu ontem ter cometido erros, mas criticou o Congresso Nacional e afastou a hipótese de renunciar. "É claro, cometi erros", disse o presidente em cadeia nacional de rádio e TV. "Errei por não ter imaginado o efeito das tentações que movem os aproveitadores". Collor disse, no entanto, que só dará por encerrada sua missão e cumprido seu programa de governo quando sancionar os projetos de modernização da economia que estão no Congresso há muitos meses. A CPI que investigou denúncias contra o empresário Paulo César Farias e que fez ligações entre ele e o presidente funcionou, segundo análise de Collor em seu discurso, como "teatro político". Disse ainda que derrotará o Impeachment" no voto, apesar de não conseguir explicar nenhuma das acusações que lhe foram feitas pela CPI. Sobre a "Operação Uruguai", o presidente se limitou a dizer que as informações divulgadas pela CPI são falsas. Collor condenou ainda as tentativas de mudança do regimento da Câmara dos Deputados para o caso de votação do pedido de Impeachment", o que significa que lutará pelo voto secreto. Em seu pronunciamento, Collor disse que a soma de responsabilidades o impede de tratar de questões de seu cotidiano familiar, que se irregularidade houve na compra do carro Elba isto se deve ao seu secretário particular (Cláudio Vieira) e, por fim, negou a possibilidade de renúncia ao afirmar que "a nossa geração política já pagou preço excessivamente alto pela renúncia de 1961", a do presidente Jânio Quadros (O ESP) (FSP) (O Globo) (JB).