Os primeiros trabalhos sobre assassinatos de menores feitos com base em informações oficiais mostram que dois deles são mortos por dia em São Paulo e que o número desses crimes está aumentando. Há dois anos, a média diária era de 1,6, o que significa um aumento de 25%. As pesquisas também apresentam um dado não detectado até então: os adolescentes assassinados são na maior parte trabalhadores e não têm envolvimento com drogas. "É a desmistificação das informações sobre a violência", analisa a socióloga Myrian Mesquita, responsável por um desses trabalhados, realizado pelo Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP. O outro levantamento é da Secretaria Estadual do Menor. Mais informações apuradas sobre esses crimes ajudam a montar o perfil dos menores que estão sendo eliminados: há mais vítimas entre os meninos do que entre as meninas, em geral com idade entre 15 e 17 anos, a maioria da classe pobre e residente na zona sul. A partir dos dois trabalhos, fica-se sabendo também que, enquanto aumentou o número de menores mortos, diminuiu 8,5% o de adultos vítimas de homicídios. Os antecedentes criminais desses menores não foram levantados pelas pesquisas. A pesquisa do NEV tentou levantar também o perfil do assassino de menores. No entanto, os boletins de ocorrência e os laudos do IML, documentos consultados, nem sempre registram os autores das mortes. Pelos poucos dados conseguidos, os menores têm sido eliminados por homens (31%), de idade entre 26 e 35 anos (5,63%), brancos (10,6%), moradores da zona sul (26,8%) e sem relação com a vítima (7%). Entre os que mataram menores em 1990 estão policiais militares (8,5%), seguidos de policiais civis e assaltantes (1,4%) (O ESP).