Apesar de subtrair o apoio do PT e do PDT de sua base de sustentação política, o vice-presidente Itamar Franco pode contar com o mínimo de simpatia da ala mais oposicionista do sindicalismo, caso substitua o presidente Fernando Collor. Os líderes sindicais evitam usar a palavra trégua para definir as relações com o provável governo Itamar e continuam combatendo o modelo econômico do ministro Marcílio Marques Moreira (Economia), mas o diálogo com o vice já começou e inclui até o debate de propostas ao virtual presidente. O perfil da agenda do provável governo do vice, com uma preocupação social e mais nacionalista, sem onda de privatizações, agrada ao sindicalismo. Reunida esta semana em Brasília, a direção da CUT (Central Única dos Trabalhadores) decidiu elaborar alguns pontos de um programa mínimo para ser discutido e possivelmente apresentado a Itamar Franco. O presidente da central, Jair Meneguelli, recusa a afirmação de que o movimento sindical viverá um período de trégua com o governo Itamar. "Não vamos passar cheque em branco para ninguém", diz. Ele garante que os sindicalistas continuarão a lutar contra a política recessiva de Marcílio. "Não basta trocar o ministro A por B ou C se continuar esse modelo neoliberal", afirma. Nas suas propostas, a CUT incluirá temas como distribuição de rendas, a questão dos aposentados e o desemprego (JB).