FRAUDE E DESORGANIZAÇÃO NA RIO-92

Ao deixarem o Brasil elogiando a organização da Rio-92, os delegados estrangeiros não tinham idéia do que se passou nos bastidores da conferência: um contrato de mais de Cr$3 bilhões burlado, funcionários obrigados a assinar documentos em branco, apadrinhamentos e até ameaça de demissão em massa no meio do evento, por causa de problemas de caixa do governo. As pessoas contratadas pela FAG-- Arquitetura Promocional, encarregada pelo governo de selecionar a equipe de funcionários do evento, sentiram na pele o que foi esse lado pouco conhecido da Rio-92. Até hoje, queixam-se de horas-extras não recebidas e do clima de desorganização. Obrigada por contrato a pagar cerca de 600 funcionários, para só depois ser reembolsada, a FAG fez justamente o contrário: mentiu para o governo, apresentando documentos comprovando pagamentos que na verdade não tinha sido efetuados e recebeu antes de pagar. A empresa também colocou 12 de seus próprios funcionários na lista de pagamentos do governo, entre eles o filho de um vice-presidente e o marido de uma diretora (O Globo).