EVANGÉLICOS CRESCEM E SE MULTIPLICAM

Crescidos e multiplicados, os evangélicos vêm ocupando os espaços disponíveis no Estado do Rio de Janeiro. De janeiro a julho ergueram no Grande Rio uma igreja a cada dois dias. No Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas, no Centro do Rio, os números dessa expansão religiosa revelam o surgimento de 118 templos evangélicos em seis meses-- numa corrida acelerada que já suplantou, em alguns municípios, o predomínio do catolicismo e de suas igrejas com séculos de tradição. O Censo Evangélico, que começou a ser feito há um ano pela Associação Evangélica Brasileira (AEB) em convênio com o Instituto Superior de Estudos da Religião (ISER) e acaba de ser concluído, mostra que em 13 municípios do Grande Rio existem 3.300 templos evangélicos-- mais que o dobro dos católicos, que hoje somam 1.251 paróquias e comunidades na região. Concentrados principalmente na Baixada Fluminense, é lá que as igrejas evangélicas revelam-se num paradoxo do reino dos céus. No Parque Vila Nova, uma área tão miserável de Duque de Caxias que já foi conhecida como Favela do Lixão, os quase quatro mil moradores desfrutam de 14 igrejas-- apenas uma católica. Só numa das ruas, existem quatro templos pentecostais. "De cada 10 moradores do Rio, cinco frequentam semanalmente um templo evangélico", calcula o presidente da AEB, reverendo Caio Fábio Júnior. "O discurso das igrejas pentecostais atrai os fiéis porque passa a idéia de mudança com propostas claras e imediatas de renovação, transformação e solução dos problemas", diz o antropólogo Ruben Cesar Fernandes, do ISER (O Globo).