Os setores brasileiros que estão na mira dos argentinos, acusados de prejudicar a indústria local com grandes quantidades e preços mais baixos, reagiram tranquilamente ao anúncio do ministro da Economia, Domingo Cavallo, de endurecimento nos processos de "dumping". Nenhuma empresa brasileira está vendendo com prejuízo-- até porque a
50028 situação das indústrias não o permite, disse o presidente do SINDIPE>AS, Cláudio Vaz. Apesar de algumas acusações de ambos os lados, as relações comerciais entre os dois países são consideradas "boas". "É um equívoco pôr em risco o MERCOSUL por uma questão de desequilíbrio de balança comercial. A solução é o Brasil comprar mais da Argentina, como petróleo ou gás", acredita Luiz Fernando Furlan, diretor de comércio exterior da FIESP. A agroindústria brasileira também é acusada de exportar grandes quantidades de frangos para a Argentina. "O problema é que os custos de lá são muito mais altos do que os do Brasil", explica Furlan, também vice-presidente da Sadia, que neste ano deve exportar US$20 milhões para o país vizinho-- ou 5% de suas vendas internacionais. O problema da Argentina é estrutural. Se não forem os produtos
50028 brasileiros, serão os de Hong Cong ou de Taiwan que serão vendidos lá, acredita Furlan. Segundo ele, o setor não pode ser acusado de "dumping", e não há empresas que vendam abaixo do custo. A diferença, garante, é que os custos brasileiros são mais "enxutos". Os fabricantes de pneus, que já foram acusados em abril deste ano de exportar com subvenções, também não temem processos de "dumping". "Essa prática não existe no setor", garante Cesário Ruiz, presidente da ANIP (GM).