BRASIL OBTÉM ECONOMIA DE US$1 BILHÃO NA NEGOCIAÇÃO DA DÍVIDA

Ao concluir a negociação sobre os juros atrasados de 1991-92 com o Comitê Assessor de Bancos, a equipe brasileira comandada por Pedro Malan conseguiu economizar cerca de US$1 bilhão para o Tesouro Nacional. E chega-se a esse total sem computar mais 1% ao ano de juros de mora relevados pelos banqueiros. Para não se confundir com o acordo principal do Plano Brady em cujo âmbito se insere, essa discussão é chamada de Bea 1991-92, pela sigla em inglês para "bond exchange agreement" (acordo de troca de bônus). A economia bilionária tornou-se possível depois de uma longa batalha. O Brasil paga aos bancos credores atualmente 30% dos juros devidos, que são computados pelas regras do acordo de 1988, Libor mais um "spread" (comissão pelo risco Brasil) de 0,8125%. Como os pagamentos previstos eram semestrais, o país paga juros calculados pela taxa semestral da Libor. Acontece que ao longo dos últimos 18 meses, as taxas de juros internacionais estão caindo para patamares historicamente baixos. Só a diferença entre o uso da taxa semestral e da taxa mensal já é muito significativa, porque a taxa mensal vai registrando as quedas na Libor ao longo do período. Paga-se menos juros. A taxa semestral da Libor estava a 7,316% em janeiro de 1991, e está por volta de 3,5% agora. A taxa mensal da Libor já era de 6,1515% em janeiro de 1991, mais de 1% menor que a semestral. Em junho de 1991, para ilustrar o mesmo tempo, a Libor semestral era de 6,716% e a mensal de 6,125%. Foram essas diferenças que o Brasil economizou (GM).