INTELECTUAIS DEBATEM ERA PÓS-COLLOR

Os intelectuais reunidos no seminário Impactos sócios-políticos do liberalismo no Brasil", realizado na UERJ na semana passada, já apostam numa era pós-Collor, na expressão do secretário-executivo do IBASE, Herbert de Souza. Embora previsto para ser apenas um balanço crítico da política neoliberal, aplicada pelo presidente Fernando Collor em seus dois anos e meio de governo, a crise aterrisou na cabeça dos participantes. Prevê-se, com base nas manifestações de rua e no que ocorre no Congresso, que o presidente não fica no governo. "A questão social não vai ser resolvida pela LBA, pela Previdência Social ou pelo Ricardo Fiúza, mas com a democratização dos bens e riqueza, saber e poder. Derrubado Collor, começo outra batalha contra os dirigentes e um deles chama-se Marcílio Marques Moreira", avisou o sociólogo. Começará uma nova agenda, com aumento das demandas populares. A panela
50019 vai ser destampada, avalia o coordenador do seminário, o cientista político Luiz Gonzaga de Lima. O pano de fundo sombrio é a recessão, a fragilidade do Estado, a falta de uma reforma fiscal e de um projeto de desenvolvimento. O Judas dessa história de penúria é o neoliberalismo ou sua versão mexicana e brasileira, o social-liberalismo, culpado de tudo, inclusive de não existir, tranformado num fantasma ideológico rondando ruínas sociais e até capaz de desmantelar o território nacional. Problema básico da era pós-Collor: como diminuir o "apartheid" social e evitar, segundo Herbert de Souza, "uma minoria entrincheirada e uma maioria desesperada". Devemos reconhecer que perdemos uma guerra e que os vencedores nos vêm
50019 impondo as condições de uma paz cartaginesa. Resta saber se seremos
50019 capazes de sobreviver preservando a unidade nacional, declarou o economista Celso Furtado. O que fazer? Reconstruir o Estado demolido e um novo pacto social "que viabilize um amplo trabalho de reconstrução de nossas estruturas econômicas e sociais", espera Celso Furtado. "O liberalismo é uma falácia e estamos na mais absoluta desordem internacional", afirmou a economista Maria da Conceição Tavares, explicando que no mapa-múndi do caos rondam US$30 trilhões que não vão para lugar nenhum, com a possibilidade até de desmontar a idéia de território. "Nenhum Estado consegue controlar o seu dinheiro e nem mesmo conter a violência no seu espaço territorial", diz ela. E pior: uma corrente nos prende aos EUA. Com o enfraquecimento do Estado nacional pode surgir o desabrochar de
50019 microidentidades. O Estado nacional pode deixar de ser uma instância de
50019 totalidade da nação, sugeriu o cientista político Antônio Carlos Peixoto (JB).