CÂMBIO FAVORÁVEL PERMITE AO PAÍS VENDER NOVOS PRODUTOS

Favorecidas por um câmbio subvalorizado na Argentina, as vendas brasileiras para aquele país vêm ganhando fôlego no setor de alimentos. Produtos como laticínios ou ovos frescos de galinha, que até então não figuravam na pauta de exportações para a Argentina, já acumularam, nos primeiros seis meses deste ano, US$2,12 milhões/FOB. Somente as vendas dos vários tipos de queijo brasileiros somaram, até agora, US$700 mil. Em 1991, não foram realizadas exportações do produto para o mercado argentino, conforme demonstram as estatísticas da Coordenadoria Técnica de Intercâmbio Comercial (CTIC). No agregado "produtos de origem animal", já houve, este ano, uma inversão de comportamento: o Brasil tem, ineditamente, exportado maiores volumes de carnes para a Argentina do que importado. Ou seja, as vendas brasileiras de produtos de origem animal para o país vizinho tiveram em janeiro/junho último crescimento de 700%, atingindo total de US$33,2 milhões. Enquanto isso, as exportações argentinas desses produtos para o Brasil caíram 66%, fechando o semestre em US$26,3 milhões. Dentro deste agregado, os destaques foram as vendas brasileiras de carne suína, com US$15 milhões, e de carne de frango, com US$11,5 milhões. No ano passado, o Brasil não exportou carne de suínos para a Argentina e as vendas de carne avícola não passaram de US$540 mil. Nesta semana, porém, o governo brasileiro confirmou que os argentinos suspenderam compras de suínos do Brasil por suspeitarem de contaminação do rebanho. Estamos exportando alimentos inusitados para os argentinos, observa Alencar Magalhães, especialista em assuntos de MERCOSUL da CTIC. E o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (ABIA), Edmundo Klotz, já trabalha com a perspectiva de saldo positivo da balança comercial do Brasil com a Argentina também na área de alimentos industrializados. As estatísticas confirmam esta tendência: as exportações brasileiras para o mercado argentino do item "produtos das indústrias alimentares" tiveram expansão de 98% no primeiro semestre do ano, acumulando US$41 milhões/FOB. Em todo o ano de 1991, elas não passaram de US$52 milhões (GM).