Os principais grupos brasileiros já estão se preparando para o surgimento do MERCOSUL, até 1994, e começaram a negociar fusões, associações e parcerias para atuar no mercado unificado do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. "Nós, empresários, já decidimos implementar de fato o MERCOSUL", afirmou Roberto Teixeira da Costa, presidente da Brasilpar e do Conselho de Empresários da América Latina (CEAL), após reunião de 28 empresários de diversos setores, em São Paulo. "Vamos trabalhar para cumprir religiosamente o cronograma de implantação do MERCOSUL", disse. A adesão incondicional ao projeto de formação do MERCOSUL foi uma das conclusões de reunião-almoço, ontem, do CEAL, que contou com a participação de empresários como Antônio Ermírio de Moraes (Votorantim), Roberto Konder Bornhausen (Unibanco), Hugo Miguel Etchenique (Brasmotor), Jorge Simeira Jacob (Fenícia), João Sayad (Banco SRL) e Fernão (Banco BBA). Os empresários, segundo Teixeira da Costa, pensaram, no passado, em tentar um acordo com o bloco do NAFTA, que reúne México, EUA e Canadá. "Não adianta fazer acordos com o NAFTA sem primeiro consolidar o MERCOSUL", concluiu o presidente do CEAL. "E por isso há muitas discussões entre os empresários da CEAL sobre possíveis fusões, associações e a definição de cada um a respeito dos mercados a serem atacados". Se uma empresa tem força em um mercado e outra o domínio de outro
49978 mercado, elas podem atuar de forma conjunta e com políticas comuns, disse Teixeira da Costa. O ministro das Minas e Energia, Pratini de Moraes, também participou do almoço e revelou vários projetos para garantir o suprimento de energia para os estados do Sul do país. Investimento em usinas nessa região são fundamentais, segundo ele, para alavancar o MERCOSUL. Outro exemplo dessa adesão ao projeto do MERCOSUL está acontecendo no Mato Grosso do Sul. O governo estadual instalou projeto que concede isenção de 50% do ICMS para o pecuarista que conseguir engordar o boi em 2,5 anos, igualando com a produtividade argentina. Hoje, o boi brasileiro demora quatro anos para atingir o ponto correto para o corte. "Precisamos estar prontos para o MERCOSUL", afirmou Aldayr Heberle, secretário da Indústria e Comércio do Mato Grosso do Sul (JB).