VOTO SECRETO É A ÚLTIMA ESPERANÇA DE COLLOR

Em reunião no Palácio do Planalto, o presidente Collor, seus ministros e aliados políticos definiram como principal estratégia para evitar a aprovação do Impeachment" a adoção do voto secreto. Combinado com a distribuição de favores aos parlamentares, o voto sigiloso neutralizaria a influência das manifestações de rua sobre os deputados. A avaliação é que, em ano eleitoral, os parlamentares não vão votar contra a opinião pública. Com a votação secreta, é possível declarar publicamente o voto contra Collor, o que salva a imagem eleitoral, e votar a favor. O ministro da Justiça, Célio Borja, disse que impor ao presidente a renúncia significaria "golpe". Na sua opinião, o presidente poderia ser aconselhado a renunciar. Ao ser indagado se ele daria esse conselho a Collor, respondeu: "Se eu fosse fazê-lo, vocês acham que seria através da imprensa?". O porta-voz da Presidência, Etevaldo Dias, disse que "se engana quem pensa que o presidente vai renunciar". Etevaldo negou que haja um ministro ou um grupo encarregado de convencer Collor a renunciar. Segundo o porta-voz, não existe motivo para renúncia. Os presidentes dos partidos de oposição e representantes de partidos governistas, por sua vez, decidiram partir para o "corpo-a-corpo" na busca de votos pelo Impeachment". Foi formada uma comissão suprapartidária pró-Impeachment" que vai procurar deputados e governadores para tentar assegurar votos na Câmara. Eles também decidiram apressar os prazos de tramitação do pedido de Impeachment". Participaram da reunião os seguintes partidos: PMDB, PSDB, PT, PSB, PPS, PST, PDT, PC do B, PDS e PTB (FSP) (O Globo) (JB).